Outubro Rosa x Alimentação no Combate ao Câncer

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Desde a década de 90, a campanha Outubro Rosa alerta o mundo sobre o combate ao câncer de mama. Observamos um aumento grande da incidência dessa doença, relacionado ao envelhecimento da população, e também à exposição, cada vez mais precoce e mais intensa, a substâncias tóxicas. Além da genética, fatores ambientais como tabagismo, álcool, radiação, poluição, aditivos alimentares, e até o excesso de peso, são fatores de risco para o desenvolvimento da patologia. A nossa alimentação pode proteger o nosso corpo, minimizando o risco de vários tipos de câncer, ou ser prejudicial, favorecendo o aparecimento desses tumores.

Na nossa dieta, entre os principais vilões estão os aditivos químicos, presentes em alimentos industrializados. Utilizados com a função de aumentar a vida de prateleira dos produtos, eles possuem efeito cumulativo no nosso organismo, que tem dificuldade em eliminá-los. Já há relação estabelecida também entre o consumo elevado de gordura, enlatados e conservas e o surgimento da doença, principalmente na mama, endométrio, próstata, estômago, cólon e reto. Os nitritos e nitratos, aditivos responsáveis pela coloração rosada de embutidos (presuntos, mortadelas, salsichas, etc), se transformam em nitrosaminas no nosso corpo, substância com alto poder cancerígeno.

A forma de preparo também é importante.  As frituras são maléficas, pois nesse método de cocção há formação de acroleína, substância química cancerígena. Segundo o INCA, um peito de frango frito submerso em óleo por 20 minutos contém mais de nove vezes a quantidade de compostos tóxicos do que um peito de frango cozido em água por uma hora. Churrascos e alimentos defumados absorvem substâncias da fumaça (como o alcatrão – o mesmo encontrado no cigarro), e quando ingerimos frequentemente aumentamos o risco de desenvolver a doença.

Por outro lado vegetais, frutas, grãos e cereais integrais protegem nosso corpo. Alimentos considerados funcionais possuem componentes que trazem outros benéficos à saúde além de sua função de nutrir, e muitos são capazes de reduzir o risco de câncer. O licopeno, pigmento vermelho encontrado principalmente nos tomates (especialmente na forma de molhos), tem forte relação na prevenção de alguns tipos de câncer, como o de próstata. Sua ação é devida ao seu poder antioxidante, capaz de neutralizar ação de radicais livres. Outros antioxidantes, como o selênio (presente em castanhas e peixes) também colaboram na proteção. Os flavonoides, também pigmentos naturais, encontrados em uvas, morango, cerejas e maçã, interrompem ou retardam o crescimento de células malignas. A soja tem relação com a prevenção de vários tipos cânceres.  Os seus fitoestrogênios ajudam a bloquear enzimas importantes para o crescimento do câncer. Uma alimentação rica em fibras é relacionada com a prevenção de câncer de estômago, cólon e reto. Por isso é interessante incrementar a dieta com cereais integrais, incluindo aveia e linhaça.

Há ainda outros alimentos que atuam em defesa do nosso organismo contra o aparecimento do câncer: peixes ricos em ômega 3, vegetais crucíferas (brócolis, couve, couve flor) e frutas cítricas, por exemplo. Monumentos importantes ao redor do mundo iluminados de rosa vão servir também para nos lembrar sobre a importância da escolha dos alimentos no combate ao câncer.

 

Tatiana Medeiros Mota – Nutricionista (CRN5 3566)